Alô Amigo!

Estar de volta, neste espaço, tão importante para a cidade de Limeira para mim é a maior alegria de 2019, pois sei da credibilidade da Gazeta e o quanto os leitores se acostumaram a ler cada matéria ou coluna de seus jornalistas.

Se o sentimento é de felicidade por esse passo que dou na minha carreira, ao mesmo tempo me sinto muito triste pelo trágico acidente no alojamento do Ninho do Urubu, no Rio de Janeiro, na última sexta-feira.

Tristeza é o que todos sentem pelas mortes dos atletas e integrantes da comissão técnica, mas a revolta de saber que mais uma vez é diante de pouco caso de administradores de clubes, instituições, empresas ou qualquer lugar que podemos ter o risco eminente de tragédias como ocorreram nos últimos dias na capital fluminense e também em Brumadinho, nas Minas Gerais. Se voltarmos no tempo, podemos lembrar de Marina, no mesmo Estado, da boate Kiss, da negligência do voo da Lâmia, no que resultou a morte da delegação da Chapecoense e de muitos jornalistas.

A comoção popular é temporária e dentro de alguns dias os mesmos que choram esquecerão do que ocorreu e retornarão a vida normal e se recordarão apenas nos programas de retrospectiva no final de ano.

Essa cultura tem que acabar o mais rápido possível, porque não podemos permitir que vidas e mais vidas fiquem vulneráveis a falha de pessoas que querem economizar e esquecem que o bem mais precioso de uma pessoa é a vida e não o alto faturamento do seu negócio especifico.

O que nos deixa mais perplexos em tudo que vemos é que muitas vezes o poder do “cifrão” financeiro soa como uma sinfonia para os auditores, fiscalizadores ou àqueles que deveriam inibir a continuidade de um projeto que não garante segurança para quem estará desfrutando do resultado final daquela mesma organização ou acomodação, que foi o caso do incêndio no Flamengo.

Nos dias atuais, o jeitinho brasileiro ficou obsoleto e os arcaicos juristas e políticos devem colocar a mão na consciência e perceberem estão destruindo o pouco que temos de moral para o mundo afora, pois em muitos lugares do mundo somos vistos como pessoas que esperam apenas uma oportunidade para tirar proveito, quebrando regras, mudando procedimentos, mas na verdade se auto favorecendo para ter uma lucratividade além do esperado.

Uma vida não possui um valor tangível e, mesmo assim, não vemos iniciativas reais de nossos governantes. Todavia, não vou culpar apenas os políticos e sim, os dirigentes e presidentes em geral. No caso do time carioca, crítico ex-atletas que visitam os centros de treinamentos e não sinalizam nada, pois apenas passam para registrar uma foto e pouco ajudam para a melhoria do futebol como um todo, muitas vezes fechando os olhos para realidade do jovens ou dos próprios profissionais.

Que Deus conforte as famílias que perderam seus filhos neste lamentável acidente.

Sidney Botelho – Instagram @sidneybotelho

Site: www.sidneybotelho.com.br

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil